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samedi 6 décembre 2008

O Orgão da Alma em Pavlov.

O órgão da Alma em Pavlov e o temor da Psicologia Filosofica.

É bem possível que todos conheçam o livro “ O Homem Neuronal” escrito por Gean Pierre Ghangeoux. Este livro, que é um baluarte da Psicologia enquanto ciência Natural, apontada para a neuro- fisiologia, não deixa de fazer a página 44 (Lisboa, 1991, Publicações Dom Quixote) um pequeno comentário ao estilo de um desabafo: ao elogiar o bom senso da História o autor diz: “Finalmente as tentativas Fisicalistas, que consistem nas bases físicas químicas das funções cerebrais, revelaram-se em geral fecundas. O pneuma, de inicio espíritos animais e depois fluido nervoso, tornou-se eletricidade animal, depois potencial de ação; finalmente transporte de iões com carga elétrica. A demonstração da intervenção dos neurotransmissores na sinapse é outro exemplo. Todavia comparadas as cogitações dos espiritualistas, estas diligencias não são sedutoras e nem reconfortantes. Mas o nosso objetivo (o objetivo do texto "O Homem Neuronal") não é esse: é o de compreender como funciona o nosso cérebro”.

Nesse mesmo sentido, Pavlov, o grande fisiologista Russo vem socorrer as criticas feitas por Augusto Conte, à psicologia entendida como um saber sobre a subjetividade, apresentando sua “Psicologia” reduzida à fisiologia. O estudante de psicologia deverá, e dizemos isso como um conselho, investigar sempre os interesses ideológicos dos autores, a que grupos e movimentos pertenciam, posto que a ciência, enquanto “religião”, tem objetivos e proselitismos próprios. Se entendermos os compromissos assumidos pelos “cientistas” entenderemos melhor, quais as motivações de seus conselhos.

O texto que nos serve de apoio dirá: Pavlov considerava inteiramente justificada a fundamentação dos fenômenos psíquicos nos fenômenos fisiológicos, chegando mesmo a apontá-la como um das tarefas mais importantes para a ciência daquele século. Para ele o psicólogo ainda não renunciou a sua inclinação pelo método filosófico da dedução, pelo pensamento puramente lógico, o qual nem sempre compara cada um de seus passos com a realidade. Tal atitude afirma Pavlov, não é a de um pesquisador, de um naturalista e, portanto não pode ser considerada científica.

Quando o fisiólogo estuda as reações que o organismo efetua através do segmento inferior do sistema nervoso central a um determinado agente externo, ele esta sendo um naturalista, isto é um cientista, mas quando ele deixa de se concentrar na ação de fatores externos sobre o animal e começa a elaborar hipóteses sobre o estado interior do animal inspirando-se nos seus estados subjetivos, ele passa a se utilizar de noções psicológicas que nada tem a ver com a atitude científica. Passa de um mundo mensurável para outro que não é. (vocês conseguem ver a contradição, o psicológico de Pavlov, levantando hipóteses subjetivas sobre a Psicologia?).

Continua: O psicólogo abandonou a firme posição cientifica do naturalista... “Tirou suas noções de um ramo do conhecimento humano que, apesar da sua antiguidade e reconhecimento de seus representantes, não tem ainda o direito de se chamar ciência”. Ora, esses são os construtores da Psicologia, sempre negando seu objeto de estudo, ou negando lhe a eficácia de qualquer dos seus métodos e conclusões.

“O que temia Pavlov, diz o autor, era a possível contaminação do subjetivismo quando o fisiólogo passasse a estudar os seguimentos superiores do sistema nervoso central; contaminação de teorias filosóficas e psicológicas”.

Pavlov distinguia três tipos de mecanismos essenciais do sistema nervosos central. O primeiro é o mecanismo de conexão permanente realizado pela medula o que realiza uma conexão permanente e automática entre certos fenômenos exteriores e suas reações correspondentes com o organismo. Esse tipo de reação ele chamou reflexo absoluto ou incondicionado. Os outros dois mecanismos de Pavlov são correspondentes ao sistema nervosos superior, o mecanismo da conexão temporária e o mecanismo analisador. No caso do reflexo incondicionado faz-se necessário o contacto direto entre o organismo e o estimulo. Todavia o Próprio Pavlov vai admitir que essa relação não fosse assim tão simples, pois se associa a ela uma infinidade de estímulos complementares, o que exigiria um sistema de conexões temporárias, móveis, substituindo os estímulos variados, em conjuntos de estímulos repetitivos, a uma dada relação provisória do organismo com o meio. Ele chamou ao estimulo de conexão temporária de reflexo condicionado. Todavia ele vai descobrir que tanto os reflexos absolutos como os temporários estão sujeitos a inibição, que para Pavlov era oriundo de um agente estranho aos agrupamentos de reflexos, inibindo, pelo não reconhecimento do estimulo, ou pala estimulação de contraditórios. Pavlov ira estudar se essa inibição é temporária ou permanente, descobrirá que ela pode ser as duas coisas, e que os reflexos condicionados tendem a se reconstituir, assim como também os incondicionados. Isso vai construir (na mente analítica negada por Pavlov, hipóteses) a hipótese de reeducação. Assim Pavlov inicia o estudo dos analisadores, complexa rede de neurônios que segundo o autor tem por função evitar o desgaste (pela contradição de estímulos que provoca estresse) de modo a reordenar as ações e iniciativas reacionais segundo uma complexa hierarquia. Pavlov considera essas funções fundamentais sobre as reações do sistema nervoso central, como parte integrante da natureza, todo organismo vivo possui um mecanismo como parte integrante de um equilíbrio entre forças interiores e exteriores do meio, desse modo toda a vida se restringe a uma longa cadeia de reações que restabelecem sem cessar um equilíbrio entre o organismo e o exterior, através dos mecanismos fundamentais já descritos.

Essa noção de equilíbrio foi utilizada por Pavlov no estudo do sono, que para ele era um meio de manter o equilíbrio entre os processos de desgaste e recuperação do organismo.

Para o nosso texto de apoio, Pavlov não procurou reduzir a psicologia à fisiologia, mas procurou evitar que a fisiologia se reduzisse à psicologia, pois ao estudar o sistema central nervoso nos seus níveis superiores, seriam englobados, em uma ideologia “mentalista”. Para Pavlov ( e seus interesses) a fisiologia ainda estava muito presa as noções de uma Psicologia Filosófica que vinha sendo rejeitada ( por motivos religiosos e políticos) pelos próprios psicólogos. Assim rejeitando as noções da Psicologia Filosófica, Pavlov caiu no extremo oposto, isto é, passou a pregar abertamente a fundamentação da psicologia na fisiologia, tanto do ponto de vista metodológico, como do constructo teórico.

Wallace Req.


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