Psicologia animal? O que é isso?
Vimos desde os primeiros textos que psique se traduz por alma, e anima também se traduz por alma. Ao pé da letra, uma psicologia animal se traduziria pelo estudo da alma da alma, uma vez que anima é a raiz de “animal”. Conceitos, ou corrupção dos conceitos?
Uma chapa de aço e um tanque de guerra, o que tem em comum? Ambos são feitos de uma liga metálica chamada aço, ou seja, sua base material é a mesma. Mas o que há de diferente entre uma chapa de aço e um tanque de guerra? A finalidade, o uso, a destinação. A liga chamada aço foi criada pelo homem e o tanque de guerra também, como finalidades diferentes, embora uma seja a base para a outra. A vida, no entanto, não foi criada pelo homem, todavia, se admitirmos que houvesse um desejo na criação da vida, e, portanto uma finalidade, e também, por parte do Criador um desejo e uma finalidade na criação do homem, podemos dizer que as duas criações têm a mesma base material, mas finalidades muito distintas. Assim um estudo da vida dos seres dotados de sensibilidade, e um estudo dos seres dotados de consciência de si e de Deus, são duas coisas absolutamente distintas, embora a base material de ambas seja a mesma.
Assim, o termo Psicologia animal, torna-se absolutamente inadequado, em se tratando da alma humana.
A Psicologia humana, criteriosamente é uma sistematização da Moral, que o pensamento materialista (os estudiosos da chapa de aço) transformou em comportamento, behaviorismo, ou seja, um estudo do comportamento da mesma base material do homem e dos animais.
Em 1907, John Broadus Watson realiza seu sonho de montar um laboratório de “psicologia animal”. Preferia trabalhar com animais do que com Humanos, nos diz um cronista (se você é psicoterapeuta anote esse primeiro traço de caráter). Sentia que a experimentação animal era mais objetiva e o fazia sentir-se mais perto da biologia, entendida por ele como ciência, e o Afastava de uma Metafísica. Animais não relatam seu complexo passado, nem são capazes de previsão do futuro, nem transformam como suas idéias o “Ambiente Terapêutico” a cada nova seção.
Começava Watson, nos diz o cronista, sua fuga da psicologia introspectiva e do “subjetivismo”.
Ele não estava sozinho nessa fuga da “Espiritualidade Humana” e da transcendência de sua existência. Dez anos antes dele, nos diz um excepcional cronista, Jacques Loeb transporta da botânica para o estudo dos animais a noção do tropismo e do foto tropismo, segundo a qual um animal é uma “maquina” química, movida pela ação de forças exteriores, em busca de um equilíbrio.
Hebert Spencer, que está enterrado ao lado de Marx, desenvolvia uma serie de estudos que o levavam a afirmar, em uma base materialista, que o homem se comporta em termos de ensaio e erro.
Jennings, apesar de ser teoricamente ao oposto de Loeb, desenvolveu-se inteiramente no campo animal (base material da vida), e é a ele que Watson deve o seu conceito de behavior e o seu significado.
Dizia Jennings: Estudar o behavior é libertar-se de toda e qualquer referencia ao psíquico e ater-se exclusivamente ao que é objetivo.
No laboratório Fundado por Willian James, Thorndike havia inventado em 1897 o procedimento do labirinto, e a convite de Carttel organiza na Universidade de Columbia o “Laboratório de “Psicologia Animal”. Dão inicio ao estudo da aprendizagem (da base material do ser humano).
Em seguida, Robert Yerkis associa o procedimento do labirinto ao procedimento do reflexo condicionado. Mas e o elo perdido? O salto qualitativo da vida sensitiva para a vida racional? Os materialistas vão encontrar uma base ideológica no pensamento de Darwin, que do simples para o complexo garantia uma “ evolução teórica não comprovada” da continuidade do reino animal. Ainda hoje, alguém se pergunta, porque só o homem, escreve, relata o passado, prevê as conseqüências de suas ações, viaja dentro de si, e fora de si, e transforma tão radicalmente o meio onde vive?
Todavia o próprio emprego da palavra comportamento (behavior) não era novidade nos diz o cronista: Thomas Henry Huxley já o havia popularizado (nos meios ditos científicos). Pierre Janet o utilizou dez anos antes de Watson na Europa, e Jennings o haviam utilizado nos EUA.
Curioso é que o próprio Watson em artigo de 1913 vai confessar surpreso por encontrar no livro do psicólogo americano Pyllsbury a “psicologia” definida como ciência do Comportamento” ( Science of Behavior). Mais curioso é que no mesmo número da revista que publica esse artigo de Watson ( The Psycological Reviw Volume XX, numero 4, de 1934) Jean James Angel, publica aquela afirmação já exposta em artigo anterior a esse de que: “ presenciamos o funeral do termo alma como integrante do vocabulário psicológico... “O termo consciência parece ser a próxima vitima marcada para a morte e como um substituído de seu prestigio abalado encontraremos o termo Behavior.”
Esta previsão de Angel nos diz o cronista, sendo ele um funcionalista, não significava o desaparecimento dos fenômenos conscientes, mas, vejam a esperteza, uma substituição dos termos consciência e alma, para algo de maior “utilidade”, tal qual “comportamento”.
A “psicologia animal” e a ciência da consciência são como assinala o próprio Watson inteiramente estranhas uma a outra. Diz ele: “Devemos admitir com franqueza que os fatos que temos podido estudar recolhidos de um estudo extenso dos sentidos dos animais pelo método da observação do comportamento, contribuíram apenas de uma maneira fragmentaria (e indireta) para a teoria geral dos processos dos órgãos sensoriais humanos; e que eles nem sequer sugeriram novos procedimentos de investigação da PISICOLOGIA HUMANA” (Watson: A introduction to comparative Psycology. NY; Holt, 1924)
Em Junho de 1913 Watson publica um artigo que diz: A Psicologia experimental é um ramo puramente objetivo da ciência Natural. Seu objetivo é a predição e controle do comportamento. Não faz uso da introspecção, nem a considera valida. Watson negava a sua consciência. Pois dizia: “A consciência é considerada estéril como um meio de investigação”. O que usou Watson?
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jeudi 21 mai 2009
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