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samedi 20 décembre 2008

Pelo amor de Deus.

Pelo amor de Deus.
Bonita essa expressão. Ela no seu sentido usual invoca a misericórdia. Pelo amor de Deus não faça isso, pelo amor de Deus não pense isso; pelo amor de Deus não diga isso.
Você encontrou contradição em nosso Blog, erro de ortografia, que prejudica a tradução, ou alguns conceitos inconsistente... Pelo amor de Deus! Isso é um Blog, uma espécie de diário, um rascunho, um caderno de anotações, onde podemos registrar nossas impressões cotidianas. Não é um livro didático para uso nas academias, que tenha passado pelo crivo de competentes revisores, ou por uma banca de profissionais da área que verifiquem a consistência dos conceitos. Não isso é o meu caderninho de anotações, onde eu organizo as minhas idéias, e com ela procuro dar um norte ao Grupo 23 de Outubro. Aqui há conceitos que você não seria capaz de verbalizar nos salões entre amigos, ou experimentá-los na vida profissional. Mas aqui esta o registro daquilo que você ao final ou começo de um dia, achou relevante.
Hoje por exemplo acordei pensando nos valores da humanidade. Acordei pensando nas crianças da Amazônia, que também acordaram para mais um dia, em pequeninas cidades isoladas na floresta, só atingíveis depois de uma navegação de mais de mil quilômetros em canoa. Elas não vêem TV, não usam energia elétrica, não vão à escola e não conhecem dinheiro. Falam uma mescla de línguas indígenas com o espanhol e o português, e acordam, imaginem cheias de esperança, cheias de vontades, de brincadeiras. Para elas não há baladas, nem boates, nem as atividades cheias de equipamentos comercializáveis, das nossas crianças, mas elas têm os seus valores e a sua felicidade. Pensei também nas crianças que acordaram na Somália, para mais um dia de sede e fome radical, uma espécie de jejum involuntário e expiatório, e fiquei pensando em seus valores. Pensei nas crianças que nascem nas Cordilheiras dos Andes, em cidades que jamais receberam um turista, vestem-se e pensam completamente diferentes do resto das crianças desse planeta, brincam nas rochas, à beira de precipícios de milhares de metros de altura, sem preocupação de seus pais, assim como lhamas e cabritos monteses; mas têm os seus valores, seus afazeres, suas brincadeiras e amam a vida. Brincam com o vento e o eco.
Valores e palavras. Palavras e escrita. Comunicação a distancia, e comunicação que vence o tempo, os séculos, quiçá talvez quebre ao isolamento entre os planetas. Mas as palavras, não se propagam no vácuo, e as idéias sim, na forma de luzes e cores da realidade, digamos fotografáveis, viajam o espaço sideral, e por meio de ondas eletro magnéticas captáveis ou transmissíveis. Palavras o que são? Para o poeta inglês elas nada mais são do que palavras. Para o soldado espanhol mestre das letras elas cortam mais do que as espadas, pois aquelas voltam para a bainha, e as palavras não, elas continuam cortando os espaços oníricos, e como cinzel do artista moldando os conceitos, e influenciando os homens. Para o santo ela comunica, não apenas aos homens, mas também com o Criador. Todos nós brincamos com o vento, o eco, e a modulação do vento em nosso corpo vivo: "Lembra-te, tua vida não é mais do que um sopro". Esse sopro, o mais comunitário e promíscuo dos elementos necessários para a vida, ele circula entre as narinas das multidões, nas montanhas do Peru, nas ruas de New York, nas secas pradarias da Somália, nos desertos do Saara, nas florestas desconhecidas do gigante Amazonas. Nos comunicamos pelo ar, como os peixes nadam e respiram a mesma água de um aquário. Pelo amor de Deus.
A Psicologia Racional, ou filosófica, como queira, estuda a palavra como um argumento do "noumeno" espiritual. A palavra, não só formúla conceitos universais expressos por sons concretos e inteligíveis, mas exprime emoções as mais primitivas e viscerais, ou seja, no dizer de José Ângelo Gaiarça, a palavra “tem letra e tem musica”, é uma síntese, e somadas ao gestual, à harmonia dos sons, e conceitos universais, fazem uma parte da comunicação humana, todavia isso só é possível, pela previa compreensão de um dom existente da e na alma intelectiva. Um dom invisível, que só se torna visível, perceptível, quando o homem o perde. Mas há acima disso tudo, mais alto e mais necessário do que o invisível ar que nos cerca e une, garante a vida e a comunicação por palavras: o Amor de Deus.
As crianças estejam onde estiverem tem conceitos universais: pai e mãe, vida e morte, fome, sede, dor e alegria, alto e baixo, noção de números, e noção de real e imaginário. Todavia expressam essas noções por palavras diferentes: pai, pére, padre,father, vater, pater, aba, abe... E quando as escrevem, então nem se fala. Elas também possuem palavras particulares de noções particulares, por exemplo, os esquimós têm um grande número de palavras para expressar neve, nós apenas uma, eles parecem distinguir tipos de neve, como nós distinguimos tipos de flores num jardim. Piaget estudou a existência de uma seqüência de base genética para o desenvolvimento do conhecimento da realidade. Ela, a seqüência, parece obedecer a um desenvolvimento por etapas, também no desenvolvimento da fala. Muita coisa “estranha” existe na questão da linguagem. O dom das línguas, já chamava atenção dos escritores sacros. Meu filho, por exemplo, aos dois anos, mal balbuciava o português, mas falava inglês claro ao sonhar. Falava dormindo. A musica, não é propriamente fala, mas surge em “Dons” impressionantes, seja do ponto de vista da memória musical, seja da harmonia e ritmo, seja na criação espontânea de melodias. É obvio que existe um papel social na construção da fala (Vendryes, Le Langage; Paris 1950), mas eu te pergunto só como suposição, que linguagem usava o arcanjo Gabriel? A linguagem é a principal característica do ser humano. De modo geral, a criança com poucos anos de idade, coloca as impressões percebida pelos sentidos, em contraposição aos modelos herdados, impressões que também os animais irracionais colhem segundo seus modelos herdados, todavia, lhes falta razão.



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