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mercredi 17 décembre 2008

Natal, para você curtir e meditar ( III).

Para você curtir e meditar (III).
A Ressurreição.
Os dois últimos textos do Blog estiveram orientados pelo espírito de Natal. Boa parte do planeta, e dos povos, estará festejando, com fé, o Natal. Não é possível, que nós, não nos perguntemos o que é o Natal, quem foi Jesus Cristo, o que significa isso tudo. Porque nós dizemos: antes de Cristo, e depois de Cristo... Qual o motivo, ou tudo isso é loucura?
Recentemente li em uma revista popular que os astrônomos localizaram (não sei se é verdade) um cometa que passou pela terra cerca de dois mil anos atrás e que voltará a passar daqui a três milênios. Nós lemos e aceitamos, porque estamos habituados a pensar nos movimentos circulares dos astros, e na sua repetição cíclica, e sem argüições aceitamos os fatos. Ninguém que esteja vivo hoje pode testemunhar essa passagem, nem ninguém hoje vivo afora Cristo, estará apto a testemunhar sua passagem daqui a três milênios. Isso por si só não desmente o fato. Acreditamos.
Se você pensar em dois mil anos atrás, sem nada que funcionasse com eletricidade, sem os avanços da matemática, sem as noções geofísicas, geopolíticas e cósmicas que temos hoje, sem os conhecimentos filosóficos de hoje, nem os controles médicos que acreditamos possuir sobre a vida, é algo para lá de surpreendente falar em ressurreição. Todavia São Paulo nos alerta de que se não cremos na ressurreição é vã a nossa fé. Isso faz da ressurreição um ponto central da fé, e nos faz pensar em algo mais em relação à pessoa de Jesus Cristo, que estaremos comemorando no Natal.
Se for uma invenção, vejam que assim, essa invenção se torna a maior e mais racional proposição filosófica jamais proposta aos homens, o que faz dessa “invenção” o maior avanço da ciência psicológica em todos os tempos. Mais fácil, menos exigente, da criatividade e do conhecimento de homens tão simples, seria aceitar que a ressurreição é um fato, não uma invenção. Narrada quatro vezes na Sagrada Escritura. 1, Lázaro; 2, o filho da Viúva de Nain; 3, a menina (“Tálita Cumin”- levanta-te); 4, o próprio Cristo. Embora ninguém vivo tenha testemunhado aquelas quatro ressurreições, nem a promessa da volta de Cristo possam ser testemunhadas, quiçá, por nós, como no caso do cometa, isso não desmente o fato. Cremos, simplesmente acreditamos. Mas é a Sagrada Escritura que vai nos chamar a atenção, que mais importante para a nossa salvação é a crença na ressurreição do que a crença no nascimento de Cristo, no Natal que iremos comemorar num ato coletivo quase universal, posto que se não crermos na ressurreição é vã a nossa fé. Por que se diz isso?
O Catecismo Romano ao se referir à ressurreição, é direto. A morte é a separação do corpo da alma. A ressurreição da carne quer dizer que assim como Cristo ressuscitou, nós também ressuscitaremos. As almas voltarão a unirem-se aos nossos corpos para nunca mais morrermos. E diz mais, Jesus ressuscitou unindo de novo a Sua alma e saindo vivo e glorioso do sepulcro. Interessante, eles falam em glorioso, corpo glorioso, não é interessante? Todavia as Sagradas escrituras nos dirão que esse corpo glorioso, falava, andava e comia. Tertuliano nos dirá: “A confiança dos cristãos é a ressurreição dos mortos, crendo nela somos cristãos”. Ora e se somos cristãos festejando o Natal, devemos nos perguntar se cremos na ressurreição, que é a maior comprovação de uma alma individual, imaterial, e personalizada.
Todavia a alma não é o monismo (união inseparável) de Descartes, posto que Jesus Cristo, o homem que experimentou a morte, o sepulcro, e a retomada da vida nos diz: Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temeis antes, aquele que pode destruir a alma e o corpo na Geena”. ( Mt. 10,28). Quiçá fazendo crer que ela não existe, ou que é mortal, ou que é inseparável da matéria ( monismo panteísta). A fé ensina que os homens justos ( justificados pela Fé) são chamados a ver Deus “face-a-face” no além, como podemos ler em: 1Cor 13, 12; 1Jo, 3, 1-3. A alma se separa do corpo e sobrevive sem matéria. Ela não cairá em um torpor inconsciente, mas levará vida altamente cognitiva, e esse conhecimento de si mesma e vida cognitiva que leva, é imortal. Em 1 Cor 2,7 leremos que Deus reservou aos seus fieis ( os que crêem nisso) “o que os olhos não viram, o ouvido não ouviu, e o coração do homem jamais percebeu”.
Acredita-se que assim como existe uma matriz racional, lógica, que propicia a compreensão dos números e seus conceitos, existe uma matriz genética que ordena as células num ser humano padrão, também existe uma matriz religiosa, como função do reconhecimento lógico do perceber-se como criatura, e não como criador. A religião e a morte parecem formar uma matriz única. Assim se diz: “Ora a Religião, voltada para os valores transcendentais, é certamente uma característica do espírito, ela é tão antiga quanto o homem e lhe é inerente, pois se manifesta desde a pré-história ate hoje, e nunca foi cultivada pelo animal irracional, ou seja, é lógica a religião. A existência no homem de um sentimento religioso e de expressão correspondente abre um hiato entre o ser humano e o macaco, seu mais aproximado homizio, hiato que não foi superado, nem será superado dada a natureza da alma intelectiva. Nem há possibilidade de superação, visto que a religião supõe, no ser humano, a realidade do espírito, ou da alma espiritual, ao passo que o principio vital dos irracionais é meramente material. É a alma espiritual, ou não material, que faculta ao homem ter expressões de si que transcendem os dados concretos, materiais, a que está confinado o ser irracional. A religião é inspirada por Deus, e pela necessidade que o homem experimenta, de dar sentido à sua vida". Nos diz: Santo Agostinho em Confissões: Senhor Tu nos fizeste para Ti, e inquieto é o nosso coração enquanto não repousa em Ti”.


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