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mercredi 17 décembre 2008

Para curtir e meditar II.

Para você curtir e meditar (II).
Passará o céu e a terra, mas minhas palavras não hão de passar. (Lucas 21,33)
Quando eu medito sobre o episódio de Jesus Cristo inocente, caminhando silencioso para a morte, e morte de cruz, penso em todos os inocentes de todos os tempos, que são massacrados em silêncio, e isso por vezes me revolta. Todavia, quando medito sobre os ataques freqüentes contra a Igreja, e a vejo caminhar silenciosa através dos séculos realizando seu trabalho de levar nas costas, dando conforto a massas humanas incontáveis, e vê-la, debaixo da chibata de línguas invejosas e caluniosas, também me revolto. Mas Deus não nos destinou para a Ira (1T. 5,9)
Ao escolher alguns livros, para dar continuidade, aos textos da Psicologia do Cabo ao Rabo, tenho me deparado, testemunhado tantos ataques vazios à Igreja, que chego a me escandalizar. Por exemplo: Uma tentativa de ridicularizar o bispo Nemésio, um os Padres da Igreja nascente, porque localizaram a imaginação no terço anterior do cérebro, no terço médio a Razão, e no posterior a memória, ( O que em absoluto não esta errado) embora eles chegassem a essas conclusões pelo simples raciocínio, sem maiores experimentações, aproveita-se para chamá-los de charlatões simplistas, e em seguida recitam aquele conhecido rosário de calunias da “culpa” que teria atrasado as pesquisas anatômicas durante a Idade Média. Ora senhores, quando Nemésio, bispo de Emeso, fez essa afirmativa ( sc.IV)....
O que se pensava sobre a mente?
Nunca dizem, que ao tempo, não havia explicações melhores. Nunca dizem que a Igreja, na Idade Média, não dominava o planeta, nem mesmo a Europa, e que, portanto, nada impedia que avanços surgissem nas ciências da China, da Índia, do Mundo Árabe e Judeu, da África, e mesmo na então desconhecida América. A igreja importava-se sim, no seu espaço restrito de atuação, com o comportamento daqueles povos. Na Inglaterra a magia, em alguns lugares esparsos o sacrifício humano, as adivinhações, e a perversão do comportamento. Nada se fez, não por culpa da Igreja, pois nenhum avanço significativo foi registrado em territórios onde a Igreja não estava presente. Além disso, omite-se sempre, os grandes avanços da ciência provocados por clérigos em todos os tempos, como Copérnico, ou Mendel na genética, só para citar exemplos. A igreja não atrasou nada. Guardou nas suas bibliotecas o pensamento clássico num mundo de analfabetos, traduziu e guardou livros árabes, hebreus, persas, hindus, traduzidos com capricho pelos monges copistas. Nada disso se diz, nada disso se lembra, só se lembram de uma inquisição, de jurisdição territorial estreita. Mesclada aos interesses do poder civil exercido por maçons, judeus, árabes, e como não podia deixar de ser por católicos, que pouco têm de profundo, com a Igreja Corpo Místico de Cristo. Atrocidades brutais, mesmo em nossos dias, são omitidas, não discutidas. Alguém sabe que existem cerca de uma centena de bispos católicos presos na China, condenados a prisão perpetua pelo crime de serem católicos? Isso não importa. Alguém se lembra, dos avanços na história da filosofia com a Escolástica Medieval? Alguém lembra que durante a Idade Média a Igreja fundou as mais celebres Universidades conhecidas, e que essa instituição, a Universidade, é uma criação da Igreja.
Mas não estamos nesse Blog para fazer uma defesa da Igreja, e sim para escrevermos sobre a Psicologia numa crítica cristã. Assim Nemésio, bispo surge na história da psicologia, como um antecipando à frenologia, ou uma pré-ciência da função cerebral. Estávamos por volta dos séculos IV e V depois de Cristo, e nada havia de melhor então. No “Renascimento”, se assim vocês insistem em chamar, Leonardo da Vince, registra desenhos de anatomia muito precisos, seguem-lhe Vesálio, Varólio, Fresnel, que vão registrando cada vez mais elaboradas descrições anatômicas, embora o significado funcional do cerebro continuasse impreciso. Descartes ( de frans Hals), que acreditava na alma, enquanto principio vital, e, portanto para ele corpo era uma máquina orgânica animada pelo principio vital, todavia, para Descartes não se confundia a alma animal com a alma humana, pois para ele, a alma era una, imaterial e imortal. Para ele a alma juntava-se ao corpo na glândula Pineal, e sua análise sobre o movimento deu a base para o que hoje se chama arco reflexo. No seio da Igreja, surge no século XVII o inglês Willis que descobrirá os corpos estriados, onde localiza a união da alma com o corpo, ora, em termos de avanço histológico ele marcou um ponto, porém retrocede diante do pensamento de Galeno e Nemésio, quanto à unidade substancial da alma. Também no século XVII, outro clérigo Gassendi reabilita os atomistas gregos, fazendo experimentos com animais procura estabelecer um vínculo da alma animal com a humana. Isso criará uma discussão estéril, sobre se o homem se animalizava, ou se o animal se humanizava. O aluno de Psicologia deve indagar-se que forças políticas atuavam nesse momento da história (reduzida a Europa) e como outros “cientistas” do mundo não europeu pensavam o assunto. A discussão européia era a “Alma do Animal”, ou tudo tinha alma, ou nada tinha alma, e o homem era uma “maquina-biológica” amoral. Nada disso responde as questões fundamentais do sentido e função da vida humana. Todavia, em cima desses conceitos, podia-se atacar a moralidade dos atos humanos, o que significa revolução de valores e do poder. Nesse período a negação de Deus, e, portanto da Igreja, era o objetivo das seitas. Assim outro religioso seria instrumentalizado: Guillhaume Lamy, aluno de Gassendi, tentará dizer que se podia falar em espíritos animais, e alma humana, indiferentemente, porque em essência eram uma e só mesma coisa. La Mattrie ( no Colégio de França) , procura fechar o quadro “materialista” tentando derrubar a tese da imaterialidade da alma humana.
Nesse sentido, e em conclusão, para fazer pensar nós citamos esse texto de São Paulo em Tessalonicenses 5, 23: Que o mesmo Deus da paz vos santifique totalmente Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo sejam conservados irrepreensíveis para a vinda de NOSSO Senhor Jesus Cristo.
Como você vê São Paulo falou em espírito, alma e corpo no primeiro século da era cristã.

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