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mardi 16 décembre 2008

Para você curtir, e meditar.

Para você curtir.
A história médica, isso é, a história enquanto registro escrito e a medicina enquanto ações de cura estiveram sempre ligadas à magia. Uma tentativa de compilação dos passos históricos da medicina, ainda que superficial, nos leva a poder propor essa hipótese como certeza. Ainda hoje, nos propomos e nos comportamos diante da ciência como magia, ou seja, um poder desconhecido, nas mãos dos magos, doutos e cientistas, que realizam milagres. O mesmo ocorre com a Psicologia. Cada vez mais, os psicólogos vão buscar no “oculto” as suas teorias, suas técnicas e teses. Veja você: a mínima mudança.
Curandeiros: Na mais longínqua antiguidade, onde os homens viviam muito pouco, e as lutas com animais ferozes e mesmo entre os homens, eram violentas, mutiladoras e mortais, os homens tinham um contacto muito maior com a anatomia desnuda, do que temos hoje. Viam-se corpos humanos destroçados às centenas, houve mesmo povos que comiam gente, e ate os que as sacrificavam em rituais minuciosos. Tinham, portanto, uma matéria de contemplação anatômica muito maior e melhor do que têm os homens modernos no seu dia a dia. Possível éra que lhes faltassem o questionamento, porque é assim, porque é assado? Os conhecimentos sobre a vida e a morte sempre deram poder, prestígio, e status.
Comia-se e respirava-se, e ouvia-se vigor do berro, o dom, a habilidade do animal ou planta, transferia-se nesse ato a vida, a saúde, o poder transmitido pela comida, bebida, ar, grunhido ou imagem do que fora comido, bebido e respirado. Buscava-se o efeito produzido por tudo aquilo que o homem assimilava. Do efeito para o símbolo, um pulo, do símbolo sonoro e mimético para a escrita, outro pulo.
A história é recente, todavia seus registros é o que temos de mais seguro em termos de analise e interpretação da antiguidade. Na Mesopotâmia, no Egito, e na Grécia a cura era ato de magia. Na Índia, China e África se diga o mesmo. Na desconhecida América, o mesmo se praticava. Mas a magia não se destinava apenas a seduzir os homens, destinava-se também a seduzir os deuses. Acalmar as doenças, os espíritos, as divindades, ou por outro lado exigir delas algo de maravilhoso. Esse jogo não terminou com a “Ciência”, nem terminará jamais.
As explicações são técnicas de orientação adequadas aos tempos vividos, todavia o norte é o papel da vida individual e coletiva num espaço e tempo cósmicos, e a identidade consciente do ser humano com Deus. Se Homero achava que a vida morava no coração (âmago do Homem) e que ali estava a fonte da vida, não estava propriamente errado, nem Lucrecio estava errado a afirmar que no coração moravam as emoções, o pavor e o medo, a alegria e a paixão. Os precursores de Sócrates já começam a perceber certa ambigüidade entre corpo e espírito. A dança dos elementos, explicava tudo. Posteriormente com Leucipo e Demócrito, tudo se explicava pelas partículas indivisíveis chegando a Parmênides onde o pensamento e o ser eram uma única e mesma coisa (bem moderno não acham? Hoje para o judeu-cristianismo o pensamento, enquanto vida intelectiva é imagem e semelhança do Ser). Com Demócrito os registros escritos determinam funções da alma em diversas regiões do corpo, e o pensamento, formado por átomos psíquicos, localizavam-se no cérebro. Hipocrates vai introduzir nos registros antigos a noção que distingue doenças neurológicas das doenças mentais (insipiente inicio da diferença entre doença dos símbolos versus neurofisiologia). Platão divide a alma (vida humana em três partes: Intelectual, irascível e concupiscível. Aristóteles haverá de produzir registros da redescoberta do marca passo do coração, como um metrônomo da vida, a dar o tempo e o compasso das emoções. Descobre a importância do cérebro em comparação as diversas espécies, a aprofunda o estudo da alma “A alma só pensa com imagens”. Herófilo e Erasistrato (cujos textos jamais foram lidos por alguém) “produzem” registros sobre as circunvoluções cerebrais e produzem hipóteses sobre a sua importância, registram a diferença de nervos motores e sensitivos. Galeno, vê nos ventrículos (vazios) do cérebro mais importância do que a matéria cerebral. Todavia registra um novo número de importantes informações, que os “magos” e “gênios” de outros tempos se utilizarão para seduzir as multidões (a morte individual, todavia, impera).
Nada eclipsa a diferença radical dos homens para com os animais, nada eclipsa a discussão do papel da alma intelectiva no homem. Jacarés, grilos, hipopótamos (vegetarianos) e dinossauros comiam uns aos outros sem fazer a pergunta, quem somos? De onde viemos, para onde vamos, para que vivemos?Eles nunca perguntaram se Deus existe ou não?
Quando o homem chega à altura máxima da pirâmide “evolutiva” do mundo conhecido, ele sente-se inseguro no ápice da pirâmide, e olhando para o espaço cósmico, é obrigado a reconhecer a sua pequenez, e perguntar a si mesmo sobre Deus e seu querer. Quando não o faz, negando a Deus, olha para baixo, e deseja, fundir-se aos dons, vigores, habilidades e poderes dos seres inferiores, quem sabe assim, torne-se ele o próprio Deus, e imaginam, tartarugas ninja, homens aranha, homens mosca, homens morcego, homens falcão, e super homens, numa trans- gênese que realiza o homem criador não da vida, mas de tipos de seres vivos, patenteados, comerciais, e serviçais para iludir e seduzir as multidões. São os magos do futuro. Nada nega a necessidade de responder: Há Deus? O que ele quer? Que papel temos, nós, enquanto criaturas intelectivas? Outros, não querendo admitir a necessidade de responder essas questões tão fundamentais para a vida humana, imaginam seres, meio insetos, meio monstros, ou com aspecto de embriões humanos a descer do espaço, esses sim, comprovariam o nosso parentesco com os animais (mas ninguém negou isso, mas, ninguém negou nosso parentesco com o barro, a terra, a matéria inerte) Seres que evoluíram, e nos ensinaram no passado, ou nos ensinarão no futuro, mas que repetem a mesma história de “Evolução do Pensamento e Conhecimento”, o limite da morte individual e coletiva. Hipnotizados, nós não queremos olhar para a dura realidade da existência de Deus revelando-se aos homens.

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