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samedi 31 octobre 2009

Da grande Mãe para o grande Pai.


Otto Rank
Otto Rank é outro mistério pouco estudado pelos alunos de Psicologia. Estudam suas teses, nunca o homem, sua origem, suas relações religiosas e políticas, suas contradições. Contentam-se com a História contada pelos biógrafos, e pelos “seguidores”. Nunca se preocupam em saber como veio a fazer parte da Seita Secreta de Sigmund Freud, a Seven Ring (aliança sete). Como e porque teve sua juventude e estudos patrocinados por Freud, como e porque se tornou o seu protegido, e como e porque se separou. Acredito hoje, que estudar é preciso,pois algumas vezes chego a conclusões aterradoras. Ele foi afastado do Grupo de Viena, por revelar segredos de seus “Irmãos”, e por ser dissidente da Ishuá (a Grande mãe). Tudo indica era judeu de origem austríaca, que na adolescência, por motivo ignorado muda seu nome Otto Rosenfeld, por Otto Rank. Escondia-se, ou já manifestava sua dissidência religiosa? De todos os outros seguidores fiéis a Freud se diz de sua origem judaica, porém o mesmo não se diz dos dissidentes, caso de Rank. Outro motivo ele não teria para fugir da Segunda Guerra, naturalizar-se norte americano. A mais impressionante afirmação de Otto Rank, que morreu vítima de uma infecção renal, foi a sua afirmação em leito de morte de que Freud teria sofrido um suicídio assistido (eutanásia), no dia comemorativo do Perdão Judeu. E ironiza estranho, trágico, cômico.
O texto que segue é citado em Leberman:
“Rank died in New York City in 1939 from a kidney infection, one month after Freud's physician-assisted suicide on the Jewish Day of Atonement”. "Komisch" (strange, odd, comical), Rank said on his deathbed (Lieberman, 1985, p. 389).
Isso nos pode indicar. essa atitude contraditória, e seria bom motivo de pesquisa, de como o pensamento israeleita alemão se desenvolvia no período entre Guerras, e de que significado político tinham essas novas ideologias em construção. Que pontos específicos elas atacavam os suportes ideológicos da Sociedade Católica, não apenas Cristã, pois essa segunda, já desde Lutero, defendia o Sínodo Judeu de Jabenes, (o sínodo israelita de resistência ao Deus Homem) ou como querem outros, a releitura das escrituras. Esse sínodo procurava excluir qualquer possibilidade de autenticidade dos escritos do Messias. Otto Rank, por sua vez revelava um pouco desse hermetismo, desse esoterismo israelita freudiano, que o liga essencialmente á mãe, e é justamente no "trauma do nascimento" (desligamento do sectarismo racial) que Freud vai se incompatibilizar com Rank. Vocês certamente dirão que eu estou exagerando, que estou inventando coisas. Otto falará da grande angustia da separação, dependência ao pai, contestação ao pai (individuação) e libertação ou adultês, numa visão nitidamente psicodramática de sua história pessoal, muito avessa a individuação feminina, e marginal ao drama da circuncisão.
A castração, não do genital, mas a castração da excitação em busca de uma intelectualidade mais serena, menos impulsiva, menos visceral. Se o trauma do nascimento haveria de determinar a tendência da gênese da personalidade, muito mais, em nível pré Édipo, a violência ritual do corte do prepúcio no menino, haveria de marcá-lo, eis ai um pomo de discórdia.
Em hebraico a circuncisão se diz B´rith Milá, algo que lembra o espírito da aliança freudiana. O nome original do primeiro grupo de estudos de Freud lembra algo como “Aliança de Poder”. Ou sétimo círculo, ou aliança dos sete. Em inglês “Seven Ring” Falarei algo sobre isso logo que possa.
A idéia de Otto é simples. Todos oscilaram entre o desejo e medo de viver e desejo e medo de morrer. Poder-se-ia dizer Eros e Thanatus, porém para Otto esse morrer e viver tem um sentido um tanto diverso, viver significa separa-se, individualizar-se; e morre a unir se, fundir-se, depender. Assim para Otto a vida nos coloca uma contingência de situação onde devemos nos separar para poder individualizar, e ou morrer, unindo-se, para pertencer. Isso me lembra de Rolando Toro e a Biodança, dos integradores e desintegradores que marcaram um período de minha vida. Esses temores e desejos conflitantes, diz Otto, são sentidos como inconfortáveis, tensões, como diriam outros autores, ansiedade, estreitamento, angustia. Para Otto a criança no ventre materno estaria fundida, unida, enfim, morta no sentido da dependência total. Hoje fisiologistas do feto, já defendem que a criança também passa por frustrações e carências uterinas, ou melhor, na vida intra uterina. Estar na mãe,para Otto, é abandono inconteste, como pertencer Israel. (Ishuá El). Erroneamente traduzido: a mãe de Deus. Na verdade Israel, nome próprio, pode ser traduzido por: aquele que lutou com Deus e venceu o que não esta fora do contesto paternal da angustia. Para Otto o nascer traria a experiência do desconforto das necessidades atendidas tardiamente e insuficientemente. Nisso resulta o Trauma do Nascimento, estar fora da Mãe. Nestas superações interage o desenvolvimento físico, emocional intelectual, num mini modelo da própria vida. A Segunda separação vem do desmame, que é seguida de uma seqüência de separações que nos levam num crescendo de incertezas e uma solidão crescente (o abandono de Israel). Para Otto Rank a solução estar em um meio termo entre essa separação (medo e desejo) e essa união, fundir-se . Esse jogo de aproximar-se e afastar-se lembram (Otto não disse) com a mímica do gestuário sexual. Porém Otto entra com o conceito de vontade, (livre arbítrio) que é (vejam a influência cristã de Otto) um organizador geral que integra todas as experiências num senso de ser total. A vontade é um desenvolvimento natural da personalidade. A Vontade para Otto é uma intervenção consciente no conflito. A vontade surge nos diz Otto, quando a criança percebe que difere das outras coisas. Ela surge como contra vontade, o negar-se, ou seja, o separar-se, ou individuar-se, começando a dinâmica do separa-se fundir-se. Para Otto, desta descoberta vem à culpa, pois a vontade, não se coaduna com a vontade alheia, e impede o fundir-se, o retorno. Donde surge a reparação e o fundir se na dependência e segurança. Todavia essa busca incessante de individuação encontrará a morte física, entendida como dependência, impotência, fusão. Embora o cristianismo, proponha uma individualidade eterna sujeita ao juízo, que antecipa o PAI. Libertar-se simbolicamente da mãe Terra para fundir-se no Pai Celestial, e individuar-se novamente na Mãe Terra na ressurreição da carne.


Me dizia um velho e sábio Rabee: Falem mal, falem bem, falem de mim ( da Mãe Terra).


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