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mardi 2 juin 2009

A Consciência.

A Consciência Segundo o Dicionário de Humberto Porto.
“Sentimento interior que impele cada um a ter um julgamento de valor sobre os seus atos livres. A consciência moral é inata, entendida como voz interior; instinto divino. A consciência não esta desvinculada da lei moral, mas é por ela constantemente iluminada. Sendo instinto divino, dom humano exclusivo esta sempre empenhada em descobrir e identificar o apelo de Deus que a restitui ao amor para com Ele, e para com os irmãos. A Consciência quando desabrochou na fonte da palavra de Deus torna-se consciência verdadeiramente livre, é dom que leva ao dialogo com Deus na ordem da criação. Esta consciência desabrochada e iluminada desse modo torna-se o critério último do comportamento e é o caminho de encontro com a verdade”.
Bem, posto isso, devemos lembrar o leitor que a Filosofia separa atos do homem de atos humanos. Os primeiros são os atos do homem enquanto animal, atos comuns ao homem e aos outros seres vivos. Os segundos são atos que diferem os homens dos animais, atos que nenhum animal é capaz de expressar e que, portanto são característicos e emblemáticos da condição de ser HUMANO.
Com esse lembrete já podemos continuar.
Distinguimos entre consciência psicológica e a consciência moral (nos dirá um bom curso de Filosofia Tomista).
A consciência psicológica é a faculdade pela qual conhecemos nossos próprios sentimentos e atos; sabemos então que estamos sentindo ou fazendo alguma coisa. A consciência psicológica é a presença do sujeito a si mesmo.
A consciência moral é a faculdade pela qual conhecemos o modo como se relacionam nossos sentimentos e atos com a moral (conjuntos de valores que inibem ou autorizam nossas ações). A faculdade que responde se nossos atos estão de acordo com o fim supremo da vida humana é a consciência moral.
A consciência moral consiste em um julgamento pratico proferido pela inteligência sobre a honestidade e desonestidade de cada um de nossos atos; é um testemunho que proferido no intimo da cada pessoa distingue entre o bem e o mau moral e tende a levar cada qual a evitar o mal e praticar o bem. Todo homem por mais primitivo e rude que possa ser (que, portanto possa ser chamado de humano) possui uma consciência moral, como possui uma consciência psicológica.
O testemunho da consciência pode ser anterior a determinado ato; então é testemunho que manda ou proíbe; tal é a consciência antecedente. Pode ser também posterior a tal ato: é então testemunho que aprova ou desaprova; tem-se assim a consciência moral conseqüente ou posterior.
A consciência moral não é algo que o homem cria ou suscita dentro de si. É algo de congênito, como a razão e outras habilidades intelectuais que são inerentes ao ser humano, que começam a falar desde que a criança chegue ao uso da razão. Por isso se diz, na teologia que é a voz de Deus no intimo de cada individuo, ou melhor, é prolongação da Lei eterna ou do amor ao bem que existe em Deus desde toda a eternidade (ordenado tudo) e que, a semelhança de um raio de luz, vem atingir cada ser humano a fim do os orientar na vida sobre a Terra como nos explica São Boa Ventura: “A consciência é como o arauto ou o mensageiro de Deus, o que ela dita não a dita por si mesmo, por direito próprio, mas manda em nome de Deus (pois é o elo permanente do homem com a Lei eterna) à semelhança de um arauto que promulga o edito do rei; assim é que a consciência tem o poder de ligar” (In II Sente. Dist. XXXIX a 1, qu.1).
Todos os povos, mesmo os mais primitivos reconhecem a existência da consciência moral como inerente da natureza humana. “A filosofia Greco romana desenvolveu a noção: Olvídio chamava-a de Deus em Nós; Sêneca identificava-a com “Deus junto de ti, contigo, em ti”; e acrescentava:” Em nós habita um espírito santo que observa o bem e o mal” (Cartas a Lucílio) (EME).
O principio que a consciência incute ao homem e que é evidente por si mesmo soa como: Pratica o bem e evita o mal.
A consciência moral é dom da alma humana, como o uso da fala e da razão. A consciência moral é imutável como imutável é a natureza humana. A Imutabilidade da consciência deriva do fato de não ser ele nada mais do que um reflexo da santidade de Deus; é o Deus santo que chama o homem a imitá-lo. Assim como Deus não sofre alteração por ser a própria e infinita perfeição, assim também sua voz espontânea em nós não conhece mudanças. Esse ditame interior no homem se forma espontaneamente indicando-lhe normas para a consecução do seu FIM ULTIMO, seu fim supremo, indicando-lhe, portanto, o caminho para o desenvolvimento moral de toda a sua personalidade em ordem da sobrevivência espiritual de sua alma.
A liberdade humana repousa na segurança e estabilidade dessa lei espontânea da consciência moral. Leis invisíveis nos permitem a herança racional, a herança da habilidade da comunicação pela fala, pela musica, pelo uso da razão. Leis invisíveis fazem o homem gerar filhos humanos. É possível quebrar essas leis, e os homens podem nascer alterados, sua razão alterada, sua fala alterada, sua moral alterada, sempre por perda e deformações. O diabo (o mal) nos diz a teologia, quis libertar-se das leis do Bem, e se proclamou tão perfeito como Deus, igual a Deus, capaz de fazer as próprias leis libertas do Bem, ou seja, libertas de Deus, e disse, sou como Ele.
Muitos têm seguido esse caminho de negar a consciência moral. Sartre por exemplo: “não há mais nada no céu: nem bem nem mal, nem alguém para me dar ordens. Pois sou um homem, um Júpiter (um deus) e cada homem deve inventar o seu caminho” (Les Mouches).
Todavia no dizer de São Paulo: Negando o Bem o homem se apega ao Mal, e nele vive. A escolha é nossa, viver na lucidez moral, ou na...


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