A negação da consciência pelo materialismo behaviorista.
O que é a consciência? Podemos responder a questão de duas maneiras: pela negação e pela afirmação. Por exemplo, perder a consciência = se tornar inconsciente. Ser inconsciente do perigo, dos deveres, dos valores e das percepções mais ou menos claras dos fenômenos que nos informam a respeito de nossa própria existência. Um homem sem consciência é um homem sem sentimento de dever, sem moralidade.
Positivamente podemos dizer que consciência é o conhecimento de si mesmo; noção do que se passa em nós; sentimento de dever; conhecimento moral; ser consciente. Ora, mas consciente, é sinônimo de estar ciente, conhecer a noção de uma coisa; saber o que se faz; fazer com conseqüência.
Não parece difícil perceber o que significam termos como perder a consciência, estar consciente de suas responsabilidades, ter consciência de seus deveres, atos e ações. Ter liberdade de consciência. Ou seja, a Consciência humana esta ligada indissoluvelmente aos valores do homem, ser consciente é ser moral. Viver conscientemente significa viver segundo regras de uma estrita probidade.
Você então dirá: mas aonde você quer chegar? Quero chegar a denuncia básica de todo o nosso argumento iniciado no primeiro texto desse Blog, a negação da consciência não é um argumento cientifico, é um argumento teológico que retira do campo da investigação a MORAL.
Se você entendeu a frase final do ultimo texto, viu que J. B. Watson negava a utilidade da consciência como um meio de investigação e também como principio explicativo. Ora Watson usou o que para chegar a essa conclusão, sua inconsciência, ou sua consciência, seu conhecimento e probidade?
O que causou maior revolta em seu tempo foi à rejeição da metodologia da consciência. Para os Behavioristas a consciência leva à introspecção cujo objeto ficaria limitado a consciência do psicólogo que correria o “perigo” de projetar seus estados de consciência sobre outro individuo. Então Watson rejeita o dualismo mente corpo e o substituiu pelo dualismo organismo meio. Ora, se você acompanhou os outros textos pode observar que isso significa: emtender o Verbo, como ação cega e sem intencionalidade, ou seja, "Ação" puramente material, uma práxis sem valores apriori. Com isso, não há a noção de um Verbo enquanto Deus, que tem Ação intencional e finalidade para a criação e limites para a sua Ação, e cria o mundo segundo uma responsabilidade, portanto uma moralidade. Quando chamamos Deus de Bom, não criamos limites para a ação de Deus, mas reconhecemos que Deus, por si mesmo, não se confunde com o Mal, ou seja, Deus é Ser Moral. A consciência humana é um lampejo da consciência divina, é semelhança e pálida imagem do ser divino, e isso nos remete diretamente para uma psicologia no sentido clássico e etimológico, pois nos leva para um estudo espiritualizado da alma humana.
Melhor do que nós, André Tilquin enumera os cinco princípios da Ciência do Comportamento sobre as quais se assentam as idéias materialistas acima delineadas:
1) Adoção de um monismo materialista e por conseqüência de um determinismo puramente materialista (não há finalidade moral na ação da matéria).
2) Aceitação do dualismo biológico versus adaptação (organismo x meio o que conseqüentemente gera um comportamento consuetudinário, arbitrário e amoral)
3) Compreensão de que o funcionamento do sistema nervoso (base material) é determinante e tem função condutora dos demais sistemas
4) Concepção da psicologia como uma ciência pratica, formulando as leis de condução e as leis da condição de previsão
5) Principio da contigüidade entre o animal e o homem.
Watson com a clara finalidade de negar a existência da consciência ou do espírito (portanto negar a Deus), não pelo ódio a Deus, mas pelo ódio a Deus enquanto ser moral e determinante de uma Moral. Um deus energia, um deus luz, um deus matéria seria mais aceitável no seu século de céticos, por isso vai buscar em Darwin uma base da contigüidade animal homem, e a seleção natural das espécies, numa luta cega chamada organismo-meio, estímulo-resposta. O sistema nervoso, assim, nada mais faz do que coordenar os pontos extremos desse arco chamado estímulo resposta. Para Watson todo o comportamento complexo é um crescimento ou um desenvolvimento de respostas simples dentro desse arco previsível de estimulo resposta. Tal erro grosseiro, erro teológico, desenvolverá em Watson uma noção de “Onisciência” da educação desde que se tenha controle do meio. Diz ele: “dê-me uma dúzia de crianças sadias, bem constituídas, e a espécie de mundo que me é necessário para educá-las e eu me comprometo a torná-las, alguém, segundo a minha escolha (psicoterapeutas anotem mais esse traço de caráter de Watson). Portanto as diferenças que elas apresentarem entre si, para Watson, devem ser creditadas ao papel atribuído a educação (ora, mas como todos os seres vivos foram educados pelo meio ambiente amoral, a educação é controle dos estímulos do meio, mas de forma amoral, digo ainda, é soberba do homem que se julga capaz de moldar pela Educação e Analise do Comportamento o seu semelhante, mas teme, tem pavor, de que Deus, pela Moral, esteja moldando o seu próprio comportamento enquanto ser humano).
Para Watson falar e pensar são uma só coisa, sendo que o primeiro é um comportamento implícito e o segundo explicito, segundo ele um é observável, o outro não. Quanto às emoções Watson as reduz a três reações padrões hereditárias (o meio que se reproduz), sendo eles, ira, medo e amor. Qualquer outra “emoção” é adquirida.
Diz o cronista: “o behaviorismo nada mais fez do que aplicar as normas da doutrina positivista tais como foram elaboradas por Augusto Conte. Ater-se ao dado positivo; não considerar o que não possa ser observado publicamente, medido desnudado; abster-se de elaborar qualquer constructo (o que é então a Teoria do Comportamento conhecida com S-R?).
Antes dele, Pavlov e Conte já haviam proposto a extinção da Psicologia. Para Conte o estudo do homem enquanto individuo se reduzia à Biologia, e enquanto ser em “colônias” seria reduzido à Sociologia. Positivismo. Watson procedeu à uma castração do saber psicológico. Tudo que fosse incompatível foi eliminado.
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mardi 26 mai 2009
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